O risco no Mar Negro sustentou os grãos, mas a pressão da colheita e a logística mais fácil limitaram os ganhos
Em 18 de agosto, os grãos e algumas oleaginosas foram negociados com um tom moderadamente mais firme, liderados pela escalada dos riscos às exportações no Mar Negro e por sinais mais fracos para as safras de milho e soja dos EUA. Ainda assim, o grande avanço da colheita na Ucrânia, algum alívio logístico e notícias baixistas para o girassol impediram uma alta mais forte.
Visão geral
O tom do dia foi moderadamente altista, embora as evidências fossem claramente mistas. O tema dominante foi o Mar Negro: vários relatos apontaram para ataques de drones, navios paralisados, ataques perto de portos, custos de transporte mais altos e o risco de que as exportações agrícolas da Ucrânia possam cair acentuadamente. Essa combinação adicionou um prêmio de risco principalmente ao trigo, ao mesmo tempo em que também sustentou o milho e a cevada por meio de preocupações com a disponibilidade regional para exportação e a logística.
A América do Norte acrescentou outra camada de suporte. Vários itens destacaram classificações mais fracas das condições das safras de milho e soja dos EUA, estresse localizado de produtividade em South Dakota e Ohio, e desenvolvimento atrasado do milho em estados importantes. Esses sinais sugeriram algum risco de oferta, ainda que não representassem, por enquanto, um choque de produção em escala nacional. Na soja, a demanda de exportação também ajudou após um relato de venda de soja dos EUA para a China.
Ao mesmo tempo, o mercado não recebeu um sinal altista limpo em uma única direção. A Ucrânia informou 30,84 milhões de toneladas de novos grãos colhidos, a Moldávia reduziu pela metade as taxas de trânsito para grãos ucranianos, e alguns relatos sugeriram que os grãos ucranianos estavam intensificando a concorrência na Romênia. Nas oleaginosas, o girassol foi notavelmente mais fraco depois que o USDA manteve uma previsão de safra recorde e relatos separados apontaram para preços mais baixos do óleo de girassol diante da expectativa de uma boa colheita. Assim, embora o dia tenha mostrado uma inclinação geral de alta, o equilíbrio subjacente permaneceu disputado.
Fatores altistas
- Relatos de que ataques de drones a Odesa paralisaram navios, aumentando os riscos para as exportações de grãos da Ucrânia.
- Um alerta de que as exportações agrícolas da Ucrânia podem despencar 50% enquanto a Rússia atinge portos do Mar Negro.
- Notícias de navios graneleiros atingidos perto de portos russos no Mar Negro e de um navio de grãos pegando fogo perto de Novorossiysk.
- A contínua incerteza em torno das exportações do Mar Negro, que ajudou a limitar as perdas do trigo e depois sustentou os ganhos.
- Classificações mais baixas para as safras de milho e soja dos EUA, além de estresse climático localizado e maturação atrasada do milho.
- Um relato de venda de soja dos EUA para a China, confirmando demanda ativa do principal importador.
- Previsões e análises sobre um El Niño potencialmente forte, o que adicionou prêmio de risco climático em toda a agricultura.
- Preços mais altos de diesel e petróleo, que elevam os custos agrícolas, de frete e de logística.
Fatores baixistas
- O relatório da Ucrânia de 30,84 milhões de toneladas de novos grãos colhidos, apontando para uma oferta substancial.
- A redução pela metade das taxas de trânsito pela Moldávia para grãos ucranianos, aliviando marginalmente a logística de exportação.
- Relatos de que os grãos ucranianos estão ocupando o mercado romeno, aumentando a concorrência regional.
- O USDA manteve uma previsão recorde para a safra de girassol, e os preços do óleo de girassol caíram diante da expectativa de uma boa colheita.
- Chuvas oportunas no Missouri melhoraram as perspectivas locais para milho e soja.
- Os sinais da crop tour nos EUA foram mistos: várias matérias foram favoráveis por causa de condições mais fracas, mas uma análise disse que os resultados do primeiro dia da crop tour pesaram sobre os valores.
- Um relatório em nível de empresa sobre rendimentos de trigo e canola melhores do que o planejado acrescentou uma nota baixista localizada.
Notas sobre commodities
- Trigo: o beneficiário mais claro da sessão, impulsionado pelo risco de interrupção no transporte marítimo e nas exportações no Mar Negro. Os ganhos foram moderados pelo avanço da colheita e por algum alívio logístico.
- Milho: sustentado pela queda dos estoques, classificações mais fracas para a safra dos EUA, maturação atrasada e estresse climático localizado. Ainda assim, alguma melhora com as chuvas e a interpretação mista da crop tour limitaram a alta.
- Cevada: sem um item independente de grande destaque, mas provavelmente recebeu suporte indireto do risco às exportações de grãos no Mar Negro.
- Girassol: a parte mais fraca do complexo, pressionada por expectativas de safra recorde e preços mais fracos do óleo de girassol.
- Soja: sustentada por dúvidas sobre a produtividade nos EUA e pela demanda de exportação confirmada para a China.
- Canola: menos direcionadores amplos de mercado; produtividades localmente melhores foram levemente baixistas.
Conclusão final
A principal mensagem do mercado foi que o risco de interrupção no Mar Negro voltou ao centro da formação de preços dos grãos, especialmente para o trigo. As preocupações com as condições das safras nos EUA acrescentaram suporte para milho e soja, enquanto os custos de energia e o risco de El Niño reforçaram o tom mais firme. Mas a alta foi contida por grandes volumes da colheita ucraniana, algum alívio logístico e notícias baixistas sobre a oferta de girassol. Resultado líquido: viés moderado de alta, com evidências mistas abaixo da superfície.