Voltar aos relatórios
Relatório diário
1 de nov. de 2026
5 min de leitura

Revisão Diária do Mercado: sinais do Mar Negro seguem mistos, soja firme, milho sob pressão

Em 1º de novembro, os mercados de grãos e oleaginosas receberam sinais mistos. A potencial melhora na logística do Mar Negro e valores FOB mais fracos da Ucrânia pressionaram o trigo e o milho, enquanto riscos de guerra, interrupção dos fluxos de grãos russos e preocupações mais firmes com energia ofereceram suporte. O complexo da soja pareceu o mais forte, com demanda sólida por farelo e uma grande compra chinesa de soja dos EUA.

Visão geral

Os mercados em 1º de novembro não tiveram uma direção única e clara. Para trigo, cevada, milho e o complexo do girassol, o Mar Negro permaneceu como o tema dominante. Algumas manchetes apontaram para menor risco de exportação por meio de um novo acordo de corredor de grãos entre Ucrânia e Turquia e expectativas de um cessar-fogo limitado, enquanto outras enfatizaram a contínua disrupção da guerra, riscos de escassez de grãos e a necessidade da Rússia de redirecionar exportações pela rota do Ártico. O efeito líquido para os grãos foi, portanto, misto.

Para milho, o tom foi mais fraco. O clima mais úmido no Brasil melhorou as perspectivas da safra, enquanto valores FOB mais fracos da Ucrânia sugeriram um mercado de exportação mais fraco. Pressão adicional veio de relatos de resultados de colheita melhores do que o esperado na Virgínia e de referências a uma forte safra de milho dos EUA em 2026.

Para soja, o tom foi mais firme. A forte demanda por farelo de soja e uma primeira grande compra chinesa de soja dos EUA desde a trégua Trump-Xi deram suporte ao complexo. Ainda assim, a incerteza em torno do ritmo mais amplo das compras chinesas impediu que o sinal altista se tornasse unilateral.

Fatores altistas

  • A logística do Mar Negro permaneceu uma fonte de suporte, já que as exportações russas de grãos estariam sendo redirecionadas pela rota do Ártico, implicando atrasos e custos de frete mais altos.
  • Alertas dos EUA sobre escassez global de grãos e relatos mais amplos ligando seca e guerras a uma oferta de grãos mais apertada sustentaram o prêmio de risco nos grãos.
  • O risco de escalada no Golfo aumentou a preocupação com transporte marítimo, logística e oferta de energia.
  • Preços persistentemente altos do diesel apontaram para pressão contínua de custos em transporte e operações agrícolas.
  • Na soja, a forte demanda por farelo e a grande compra chinesa de soja dos EUA foram claramente fatores de suporte.

Fatores baixistas

  • O novo acordo de corredor de grãos no Mar Negro entre Ucrânia e Turquia reduziu o risco percebido de disrupção das exportações.
  • Expectativas de um arranjo mais amplo no Mar Negro e de um cessar-fogo limitado também ajudaram a aliviar os temores de oferta para grãos e oleaginosas.
  • O uso de rotas árticas pela Rússia mostrou que canais alternativos podem manter os grãos em movimento, limitando a alta decorrente da disrupção no Mar Negro.
  • Um navio fretado pela ONU pronto para deixar a Ucrânia rumo à África sinalizou ao menos alguma continuidade no fluxo de exportação, ainda que apenas em pequena escala.
  • O milho enfrentou pressão baixista adicional por conta da melhora do clima no Brasil, de valores FOB mais fracos da Ucrânia e de resultados localizados de colheita melhores nos EUA.

Notas sobre commodities

  • Trigo: misto. Riscos de guerra e logística deram suporte, mas manchetes sobre corredor e cessar-fogo limitaram a alta.
  • Milho: levemente baixista no geral, liderado pelo clima no Brasil, valores de exportação mais fracos da Ucrânia e melhores sinais da colheita nos EUA.
  • Cevada: acompanhou principalmente a logística do Mar Negro e o sentimento de risco, sem um fator separado de grande relevância nas notícias fornecidas.
  • Complexo do girassol: pressionado pela perspectiva de exportações mais fluidas no Mar Negro, embora riscos geopolíticos e de energia tenham oferecido alguma compensação.
  • Soja: o tom mais forte do dia, sustentado pela demanda por farelo e pela retomada das compras chinesas de soja dos EUA.

Conclusão final

O tom geral do mercado agrícola foi neutro, com um equilíbrio muito misto de vetores. As notícias do Mar Negro puxaram os preços em ambas as direções: prêmios de risco menores onde as rotas de exportação pareciam mais seguras, mas suporte maior onde a guerra e a disrupção logística permaneciam sem solução. Nesse contexto, o milho pareceu mais fraco, a soja pareceu mais firme e trigo e cevada permaneceram presos entre manchetes opostas.